Imigração

Nova Unidade de Polícia de Fronteiras da PSP Assume Deportações, Substituindo a AIMA

A UNEF, unidade de fronteiras e imigração da PSP, assinala um ano de atividade — tratando deportações, controlos EES e fiscalização, separadamente da função administrativa da AIMA.

7 min de leituraAtualizado setembro de 2026

Números-chave — em 2026-09-07: a UNEF (Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras) entrou em funcionamento a 21 de agosto de 2025 sob a alçada da PSP e assinalou o seu primeiro ano completo em 21 de agosto de 2026 — tendo controlado 19.749.328 pessoas nas fronteiras aéreas e mobilizado 1.504 agentes; herdou aproximadamente 100.000 processos pendentes de afastamento/retorno da AIMA no arranque; o sistema biométrico EES da UE está totalmente operacional em todos os aeroportos portugueses desde 10 de abril de 2026; a unidade efetuou 428 detenções no seu primeiro ano.

Um Ano de "Mini-SEF" — E os Números Por Trás Disso

Os estrangeiros que lidam com a burocracia portuguesa dividem agora a sua atenção entre duas entidades bastante distintas. Uma processa documentação. A outra usa uniforme e pode colocá-lo num avião.

Essa segunda entidade é a UNEF, a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, criada no seio da PSP (Polícia de Segurança Pública) ao abrigo da Lei n.º 55-C/2025, de 22 de julho. Apelidada de "mini-SEF", entrou em funcionamento a 21 de agosto de 2025, tendo como principais objetivos o controlo de fronteiras e a fiscalização em matéria de imigração — funções que anteriormente competiam ao já extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Um ano depois, a PSP publicou o seu primeiro balanço anual: 1.504 agentes foram mobilizados para a segurança aeroportuária e o controlo das fronteiras aéreas entre 21 de agosto de 2025 e 20 de agosto de 2026, período durante o qual foram controladas 19.749.328 pessoas e efetuadas 428 detenções.

Quem Faz o Quê Agora: AIMA vs UNEF

A divisão é deliberada e, para quem navega o sistema de imigração português, vale a pena memorizá-la. Além da segurança aeroportuária e do controlo de fronteiras — que inclui o centro de instalação temporária no Porto e espaços equivalentes nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro — a UNEF é também responsável pelas operações de afastamento, readmissão e retorno de pessoas em situação irregular, funções que anteriormente estavam atribuídas à AIMA. Em termos simples: a AIMA continua a gerir autorizações de residência, renovações e apoio à integração; a UNEF gere agora a vertente coercitiva — deter pessoas na fronteira, abrir processos de contraordenação e executar fisicamente ordens de deportação.

A reforma também formalizou algo que já estava em curso. Desde novembro de 2023, a PSP já vinha desempenhando parte destas funções, tendo formado mais de 1.200 agentes para o controlo de fronteiras e segurança aeroportuária nesse período. A UNEF simplesmente deu a esse arranjo um nome, uma base legal e — crucialmente — a carga de trabalho de afastamentos que a AIMA tinha dificuldade em resolver. De acordo com relatos da semana de arranque da unidade, a UNEF herdou as competências de retorno e afastamento de pessoas em situação irregular que até então estavam sob a tutela da AIMA, com uma estimativa de 100.000 processos pendentes transferidos.

Porque Motivo a Mudança Ocorreu

A lógica declarada resultou diretamente das próprias limitações da AIMA. Como resumiu, na altura, um guia para imigrantes, a unidade especial foi criada pelo governo para melhorar a capacidade de afastamento de imigrantes sem direito de permanência, função anteriormente detida pelo SEF e depois transferida para a AIMA — mas o entendimento do governo era o de que a agência não tinha capacidade para a executar. O Parlamento aprovou a medida com o apoio do centro-direita e do Chega; a esquerda absteve-se ou votou contra.

As competências legais da UNEF vão além dos controlos aeroportuários. A unidade ficou também encarregada de instruir e gerir processos de afastamento coercitivo, expulsão, readmissão e retorno voluntário, de elaborar normas técnicas para uniformizar procedimentos, e de instaurar processos de contraordenação ao abrigo do regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros.

O Tráfego Por Trás dos Números

A escala do que a UNEF gere atualmente tem crescido rapidamente. Só no primeiro trimestre de 2026, a PSP controlou 4.313.811 passageiros nos aeroportos nacionais, um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as interceções aumentaram 45,3% para 9.302, as medidas cautelares subiram 153% para 5.484, e as recusas de entrada cresceram 57,5% para 704. As decisões de proibição de entrada aumentaram ainda mais acentuadamente, com uma subida de 217,4%.

Análise GrowIN: estes números revelam algo que merece destaque — a fiscalização está a intensificar-se muito mais rapidamente do que a própria circulação de viajantes. O volume de passageiros cresceu 12,5% em termos homólogos, mas as interceções cresceram 45,3% e as recusas de entrada 57,5%. Isto significa que as ações de fiscalização aumentaram aproximadamente três a quatro vezes mais rapidamente do que o tráfego subjacente que as motiva, sugerindo um escrutínio mais apertado e não apenas mais viajantes a passar. Face ao total anual de 19,75 milhões de pessoas controladas e 428 detenções, isto também se traduz numa ação de fiscalização em cerca de 1 em cada 46.000 viajantes processados — uma pequena fatia do tráfego global, mas em rápido crescimento.

O EES Acrescenta Mais Uma Camada

Os controlos de fronteira tornaram-se mais complexos, para além da reorganização. O EES está totalmente operacional em todos os aeroportos portugueses desde 10 de abril de 2026, com o controlo de fronteiras em Lisboa, Porto e Faro a cargo da PSP através da UNEF, que assumiu as funções de fronteira aérea do extinto SEF. Os visitantes de países terceiros em estadias de curta duração têm agora as impressões digitais e fotografias registadas na entrada e na saída — e a implementação não tem sido isenta de dificuldades: a 11 e 12 de abril de 2026, a PSP suspendeu a recolha biométrica nas partidas em Lisboa, Porto e Faro para evitar que os passageiros perdessem os voos, não tendo as chegadas sido afetadas.

Dificuldades de Crescimento — e O Que Observar

O próprio sindicato de polícia da UNEF não está a proclamar vitória. O presidente do sindicato queixou-se de que as fronteiras aéreas se tornaram "a prioridade máxima" do ponto de vista político, deixando a fiscalização das fronteiras internas ainda mais carente de recursos — os passageiros que chegam são bem controlados, afirmou, mas "não temos garantido a proteção dessas mesmas pessoas depois de já estarem aqui". Salientou ainda que as unidades regionais de controlo e monitorização de estrangeiros no território nacional "ainda não estão implementadas" como previsto, existindo apenas num pequeno número de comandos policiais.

Os grupos de defesa dos direitos dos imigrantes assumem uma posição mais dura. A presidente da Solidariedade Imigrante descreveu a UNEF como uma "força de persseguição, estigmatização e violência contra os imigrantes", traçando comparações com o modelo de fiscalização policial ao estilo dos EUA. A PSP, por sua vez, afirma que ainda está a construir o seu efetivo-alvo — o objetivo a médio prazo é que a UNEF conte com cerca de 2.000 pessoas, incluindo agentes, técnicos especializados, prestadores de serviços e voluntários da sociedade civil.

O Que Isto Significa Para Quem Vive Aqui

Para quem tem um processo de residência ativo, a conclusão prática é simples: a AIMA é o seu ponto de contacto para autorizações, renovações e questões de estatuto; a UNEF é quem aparece se uma ordem de afastamento for executada. São cadeias de comando separadas com prioridades distintas, e um processo lento na AIMA não significa necessariamente que a UNEF fique fora do panorama — uma situação irregular pode desencadear uma ação por parte da polícia independentemente do estado em que se encontre a documentação. Quem entra com um visto Schengen de curta duração ou em regime de isenção de visto deve também esperar controlos biométricos EES em cada travessia de fronteira, com filas ocasionais enquanto o sistema se consolida.

Veredito editorial GrowIN Portugal: a fiscalização em Portugal conta agora com uma força policial dedicada, distinta da agência que trata a sua documentação — e os estrangeiros devem saber a que porta bater para cada tipo de problema.

Quem tenha um pedido de residência pendente, uma autorização caducada, ou questões sobre a forma como as regras de fiscalização se aplicam à sua situação, deve consultar as orientações atuais no nosso centro de vistos e confirmar os detalhes específicos do seu caso diretamente com a AIMA ou com um advogado de imigração qualificado, antes de assumir como decorrerá um processo de renovação ou de afastamento.

Fontes

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