A escolha entre o Startup Visa e o Tech Visa de Portugal resume-se a uma única pergunta: é o fundador que está a construir a empresa ou o profissional qualificado que se junta a uma? Ambos foram concebidos para alimentar a economia de inovação de Portugal, ambos são geridos por entidades públicas e, muitas vezes, funcionam em sequência. Este guia apresenta o que cada um oferece em 2026 e como escolher o mais adequado.
O Startup Visa: Para Fundadores de Fora da UE
O Startup Visa destina-se a empreendedores de fora da UE/EEE que pretendam lançar ou relocalizar um negócio inovador em Portugal. O seu requisito definidor é a aprovação por uma incubadora acreditada pelo IAPMEI, que se compromete a acolher e apoiar o projeto. Essa aprovação é a porta de entrada — sem ela, não há candidatura. A GrowIN Portugal tem uma longa presença neste ecossistema.
Os parâmetros do programa são concretos:
- Até cinco fundadores por projeto.
- Cada fundador deve comprovar fundos próprios de €6.445,56 (doze vezes o IAS de 2026, de €537,13), evidenciados por um extrato bancário.
- O projeto deve demonstrar o potencial de atingir um volume de negócios e/ou valor de ativos superior a €325.000 no prazo de cinco anos a contar do contrato de incubação.
- O empreendimento deve ser genuinamente inovador, de base tecnológica e com uma orientação internacional, com capacidade para criar postos de trabalho locais qualificados.
Estes parâmetros decorrem do Despacho Normativo n.º 4/2018 (ao abrigo da Portaria n.º 344/2017) e do guia oficial e FAQ do IAPMEI — consulte os nossos dados sobre vistos.
As candidaturas decorrem durante todo o ano através da plataforma Startup Visa do IAPMEI. Para o percurso completo, consulte o nosso guia passo a passo do Startup Visa.
O Tech Visa: Para Contratar Talento Qualificado
O Tech Visa funciona do lado do empregador. Permite que empresas certificadas e inovadoras contratem profissionais altamente qualificados de fora da UE através de um processo de residência simplificado. O IAPMEI avalia e certifica quais as empresas que podem participar, e apenas essas empresas certificadas podem patrocinar uma contratação.
Os candidatos recrutados através do programa necessitam, em geral, de:
- Ser nacionais de fora da UE e não serem já residentes permanentes de outro Estado da UE.
- Ter cumprido as obrigações fiscais no seu país de residência.
- Ter registo criminal limpo e ter, pelo menos, 18 anos.
- Ter um grau académico relevante, ou uma habilitação de ensino secundário mais vários anos de experiência especializada.
- Demonstrar proficiência em português, inglês, francês ou espanhol.
Ao abrigo da Portaria n.º 328/2018 (com a redação dada pela Portaria n.º 59-A/2022), a empresa certificada deve celebrar um contrato de, pelo menos, 12 meses que pague, no mínimo, 2,5× o IAS (€1.342,83/mês em 2026), e não mais de 50% da sua força de trabalho pode estar simultaneamente em contratos de Tech Visa (percentagem mais elevada para empresas de territórios do interior). Cada contratação é suportada por um Termo de Responsabilidade que a empresa emite através do IAPMEI. Consulte o nosso guia do Tech Visa e os dados sobre vistos para mais pormenores.
Lado a Lado
| Startup Visa | Tech Visa | |
|---|---|---|
| A quem se destina | Fundadores de fora da UE | Trabalhadores qualificados de fora da UE |
| Impulsionado por | O projeto do fundador | A empresa contratante |
| Guardião principal | Incubadora acreditada pelo IAPMEI | Empresa certificada pelo IAPMEI |
| É necessário | Um empreendimento inovador aprovado | Uma oferta de emprego de uma empresa certificada |
| Família | Reagrupamento disponível | Reagrupamento disponível |
Como Escolher
Escolha o Startup Visa se é um fundador que pretende construir ou relocalizar a sua própria empresa inovadora. Vai precisar da aprovação de uma incubadora e de um caso de negócio credível. Este é o seu ponto de entrada no ecossistema.
Escolha o Tech Visa se é um profissional qualificado com uma oferta de emprego de uma empresa portuguesa certificada — ou se gere uma dessas empresas e pretende trazer talento internacional rapidamente.
Funcionam em Conjunto
Estas vias não são mutuamente exclusivas e, na prática, formam frequentemente uma sequência. Um fundador utiliza o Startup Visa para estabelecer a empresa, obtém a sua certificação e, em seguida, utiliza o Tech Visa para recrutar talento internacional especializado. Startup Visa primeiro, Tech Visa depois, quando o negócio já está em funcionamento. Compreender ambos desde o início ajuda a planear a contratação da empresa muito antes de dela precisar.
A Que Ambas as Vias Conduzem
Ambas o colocam no percurso de residência de Portugal através da AIMA, a agência de imigração que substituiu o SEF. Esse percurso pode eventualmente chegar à nacionalidade, mas as regras mudaram em 2026: desde 19 de maio, a naturalização exige sete anos de residência para nacionais da UE/CPLP e dez anos para os restantes, além de um exame de português de nível A2. Ignore qualquer fonte que ainda cite o antigo prazo de cinco anos.
Fundações Práticas
Qualquer que seja a via escolhida, vai precisar dos mesmos alicerces: um número de identificação fiscal e configuração fiscal portugueses, banca empresarial e, para os fundadores, uma constituição de empresa adequada. Ter tudo isto em ordem desde cedo evita atrasos assim que um visto for aprovado. Quem esteja a planear uma mudança mais alargada deve também consultar os nossos recursos de relocalização e toda a gama de opções de vistos.
Os requisitos e os limiares evoluem, e nenhuma via garante a aprovação. Uma candidatura clara, bem documentada e alinhada com os objetivos de cada programa dá-lhe a base mais sólida.
Não tem a certeza de qual a via mais adequada? Contacte a nossa equipa para uma avaliação personalizada das opções de Startup Visa e Tech Visa.
Aviso: Este guia destina-se a orientação geral e não constitui aconselhamento jurídico, fiscal ou de imigração. Os pormenores variam consoante a sua situação e as regras podem mudar — confirme sempre junto das entidades oficiais ou de um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.