Imigração

Nova Lei do TVDE Impõe Teste de Português a Motoristas Migrantes da Uber e da Bolt

A lei revista do TVDE em Portugal, em vigor desde 1 de setembro de 2026, exige português funcional e um exame com nota mínima de 90%—afetando milhares de motoristas imigrantes de plataformas.

5 min de leituraAtualizado agosto de 2026

Dados-chave — à data de 2026-08-28: a Lei n.º 59/2026, publicada a 25 de agosto de 2026, em vigor a 1 de setembro de 2026 — os novos motoristas enfrentam 50 horas de formação obrigatória e um exame de 30 perguntas que exige 27 respostas corretas (90%) — a idade máxima dos veículos sobe de 7 para 10 anos (12 para carros elétricos) — os cidadãos estrangeiros representavam 48% dos cerca de 37 500 motoristas de TVDE ativos em Portugal em março de 2025, e todo o crescimento líquido do setor desde então proveio de motoristas estrangeiros, segundo dados do IMT.

Uma lei oito anos em preparação, agora com um teste de língua incluído

O setor do transporte com plataforma em Portugal acaba de sofrer a maior reviravolta desde que a Uber e a Bolt foram reguladas pela primeira vez. A lei que altera o anterior regime jurídico do TVDE foi publicada em Diário da República e entra em vigor a 1 de setembro, oito anos após ter começado a regulação deste tipo de mobilidade — a Lei n.º 59/2026 altera a anterior Lei 45/2018.

Escondida no pormenor técnico está uma alteração que recairá mais fortemente sobre a força de trabalho imigrante do setor: o curso de formação rodoviária passa a ter de incluir a verificação do "domínio funcional da língua portuguesa" adequado ao trabalho de motorista. Esse requisito não existia na lei anterior. Coexiste com um exame de qualificação muito mais exigente: os futuros motoristas terão de frequentar uma formação inicial mínima de 50 horas, combinando componentes teóricas e práticas, seguida de um exame final de 30 perguntas, com pelo menos 27 respostas corretas exigidas para aprovação. Uma nota de aprovação de 90% num teste de 30 perguntas é um patamar significativamente mais elevado do que as avaliações dos centros de formação por que muitos motoristas atuais passaram.

As plataformas terão também de permitir que os passageiros atuem diretamente com base na nova regra. Os passageiros poderão "escolher um motorista com conhecimentos de português", enquanto os cursos de formação passam a verificar o "domínio funcional" da língua.

Porque é que isto afeta especificamente os motoristas migrantes

O TVDE tornou-se uma das poucas portas de entrada no trabalho remunerado para migrantes recém-chegados com um carro, uma carta de categoria B e português limitado — sem CV, sem entrevista, sem um empregador a avaliar competências linguísticas à partida. É precisamente por isso que os números são tão desequilibrados. Em março de 2025, estavam ativos 37 495 motoristas de TVDE, dos quais 52% (19 815) eram portugueses, seguidos dos brasileiros com 20,6% (7735) e dos indianos com 10,4% (3900). Havia motoristas de 98 nacionalidades diferentes ao volante nesse mês.

A tendência só se aprofundou desde então. Os dados do IMT mostram que o número total de motoristas ativos subiu de 40 596 para 40 858 entre abril e maio de 2026. A associação do setor APTAD afirma que todo esse crescimento líquido em maio foi impulsionado exclusivamente por motoristas estrangeiros — nacionais da Índia, Bangladesh, Paquistão e outros países —, o que a associação interpreta como sinal de que os cidadãos portugueses continuam a encontrar melhores opções noutros lugares.

Cálculo da GrowIN: aplicando a última repartição confirmada por nacionalidade (48% estrangeiros, março de 2025) à dimensão atual da frota de 40 858 motoristas (maio de 2026), obtêm-se cerca de 19 600 cidadãos estrangeiros já a trabalhar ao abrigo de licenças de TVDE — e, uma vez que, segundo os relatos, todos os motoristas acrescentados desde então foram estrangeiros, essa fatia é quase de certeza mais elevada hoje. Um requisito de língua e de exame a recair sobre uma força de trabalho desta dimensão não é uma tecnicalidade; é um acontecimento no mercado de trabalho.

"Uma regra destinada a proteger os passageiros de problemas de comunicação irá, na prática, decidir que migrantes podem continuar a conduzir para a Uber e a Bolt," afirma a Redação da GrowIN Portugal.

As regras dos veículos também estão a apertar

Não são apenas os motoristas a enfrentar novos obstáculos. A idade máxima dos veículos admitidos na frota sobe de sete para 10 anos, ou 12 anos para veículos elétricos — uma alteração que alivia uma restrição ao mesmo tempo que as regras de formação e de língua apertam outra, o que provavelmente irá reorganizar quais os carros e quais os proprietários que se mantêm viáveis no setor. Os operadores perdem também a possibilidade de emprestar ou ceder veículos ao abrigo de acordos de comodato, salvo em casos limitados, e as plataformas ganham a opção (não a obrigação) de gravação de vídeo no interior do veículo, baseada em consentimento e sem áudio.

Implicações práticas e o que observar

A lei entrou em vigor a 1 de setembro de 2026, mas a metodologia exata do teste de língua — como o "domínio funcional" é avaliado, e por quem — ainda precisa de ser definida por portaria (regulamentação de execução), pelo que os motoristas já licenciados devem estar atentos aos pormenores sobre se o requisito se aplica retroativamente às renovações ou apenas a novos candidatos. Os atuais titulares de cartão TVDE não são automaticamente obrigados a repetir a formação segundo o que foi publicado até agora, mas espera-se que o IMT e as plataformas esclareçam a fiscalização nas próximas semanas. Os migrantes que ponderam o TVDE como via de entrada no mercado de trabalho português — incluindo muitos com estatuto de reagrupamento familiar ou D7 a explorar o trabalho independente — devem encarar o português funcional de nível A2 como um pré-requisito prático agora, e não como um bónus; o nosso portal de vistos cobre as categorias de residência que costumam conduzir as pessoas ao trabalho em plataformas e de tarefas pontuais.

Para um setor em que cerca de metade da força de trabalho não cresceu a falar português, um exame que exige 90% de acerto vai filtrar pessoas — é esse o objetivo, argumentam os apoiantes, e o risco, dizem os críticos.

Fontes

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