Dados essenciais — a 2026-08-20: A Lei Orgânica 1/2026 entrou em vigor a 19 de maio de 2026, elevando a espera pela naturalização de 5 anos para 7 anos (nacionais da UE/CPLP) ou 10 anos (todos os restantes) — o relógio começa agora a contar a partir da data de emissão da primeira autorização de residência, e não da data da candidatura — apenas as candidaturas à nacionalidade submetidas no IRN até 18 de maio de 2026, inclusive, mantêm a antiga regra dos 5 anos — o processamento do Golden Visa na AIMA já demora 12 a 36 meses, pelo que os investidores à espera de um primeiro cartão enfrentam um calendário comprimido e incerto.
Uma Lei, Três Relógios Muito Diferentes
Os estrangeiros que investiram no Golden Visa de Portugal esperando um caminho de cinco anos até um passaporte português estão a descobrir que é a data num papel — e não a data em que transferiram o investimento — que decide agora que regras se lhes aplicam. A Lei Orgânica 1/2026, em vigor desde 19 de maio de 2026, foi aprovada pelo Parlamento a 1 de abril de 2026, promulgada pelo Presidente a 3 de maio de 2026 e entrou em vigor a 19 de maio de 2026, duplicando o requisito-padrão de residência, de modo que a maioria dos cidadãos estrangeiros precisa agora de dez anos de residência legal, enquanto os cidadãos da UE e da CPLP enfrentam sete.
Essa alteração já é, por si só, uma mudança de peso. O que a torna mais complicada especificamente para os titulares de Golden Visa é a redação transitória. As candidaturas à nacionalidade já submetidas ao IRN até 18 de maio de 2026, inclusive, continuam a ser processadas ao abrigo do anterior regime de cinco anos. Falhar esse limite — ainda que por um dia, ainda que porque a AIMA não tinha emitido o seu cartão — e passa a aplicar-se uma lei totalmente diferente.
Porque é que a Data de Pagamento da Taxa Importa Tanto
O problema prático é o sequenciamento. Um investidor não pode submeter uma candidatura à nacionalidade sem uma autorização de residência válida e emitida. Muitos investidores de Golden Visa que pagaram o seu investimento e as taxas de candidatura há anos continuam à espera de que a AIMA emita fisicamente esse primeiro cartão — um remanescente que a nossa ficha informativa já assinala como demorando 12 a 36 meses. Na prática, um número significativo de investidores esperou três a cinco anos pela emissão das suas autorizações de residência, havendo candidaturas que remontam a 2021.
Para este grupo, a nova lei não oferece qualquer conforto. Para os titulares de Golden Visa e de outras autorizações de residência que ainda não submeteram uma candidatura à nacionalidade, o novo requisito de 7 ou 10 anos aplica-se a qualquer candidatura à nacionalidade submetida a partir de 19 de maio de 2026, e saber se o tempo de residência anterior conta para o novo relógio está atualmente em disputa e é objeto de uma ação coletiva em curso. Essa disputa não é académica — está a formar-se uma ação coletiva que envolve mais de 500 investidores, organizada pela Liberty Legal e pela Prime Legal, em torno desta questão. Separadamente, o problema do sequenciamento está no cerne de uma queixa ao Provedor de Justiça apresentada em nome dos investidores.
A lei altera também a forma como o próprio relógio é medido. A lei aperta o modo de cálculo do tempo de residência, contando apenas os períodos de residência legal suportados por autorizações de trabalho/residência válidas, fazendo o relógio arrancar na data em que a autorização de residência é emitida, e não na data da candidatura. Os investidores que assumiram que os seus anos de espera pela AIMA contariam para a nacionalidade poderão descobrir que esses anos são totalmente apagados quando o cartão finalmente chega.
A Leitura dos Números pela GrowIN
Eis a aritmética que mais deve preocupar os investidores: alguém que investiu em 2021 sob a promessa de uma via de cinco anos, mas que continua à espera do primeiro cartão de residência em 2026 devido ao remanescente da AIMA, poderá agora enfrentar um novo relógio completo de 10 anos, a arrancar apenas quando esse cartão for emitido — potencialmente empurrando a elegibilidade para pedir a nacionalidade para meados da década de 2030, cerca de quinze anos após o investimento original, em vez da data de 2026 que o antigo regime dava a entender. Este é o nosso próprio cálculo, não um número oficial, mas ilustra por que razão tantos investidores estão alarmados e não apenas incomodados.
"Para os investidores do Golden Visa, a diferença entre a nacionalidade ao quinto ano e a nacionalidade ao décimo quinto ano depende agora de uma única data carimbada que podem não controlar", afirma a GrowIN Portugal Editorial.
O Que Continua por Resolver
Nem todas as leituras das regras transitórias coincidem. Alguns comentadores sugerem que as datas de pagamento das taxas anteriores à publicação em Diário da República poderiam ancorar o relógio, e que argumentos constitucionais sobre a demora do Estado poderiam obrigar a que o tempo de processamento da AIMA contasse a favor do requerente — o Presidente Seguro fez uma observação análoga na promulgação, notando expressamente que "a contagem dos prazos legalmente fixados para a obtenção da nacionalidade não deve ser afetada pela lentidão do Estado". Esse princípio ainda não foi testado numa decisão específica para os titulares de Golden Visa em fase de residência. A AIMA ainda não publicou orientações, e o Governo tem 90 dias para emitir o atualizado Regulamento da Nacionalidade. Os investidores devem tratar com cautela qualquer resposta confiante de "5, 7 ou 10" até essa regulamentação surgir.
O Que Fazer Agora
Verifique a data no seu comprovativo do IRN, não a do seu contrato de investimento. Se submeteu uma candidatura à nacionalidade antes de 18 de maio de 2026, está quase de certeza abrangido pela antiga regra dos cinco anos. Se ainda está à espera do primeiro cartão de residência, obtenha aconselhamento jurídico antes de assumir que quaisquer anos anteriores contarão — e fique atento ao Regulamento da Nacionalidade, esperado no prazo de 90 dias após a publicação da lei. O nosso portal de vistos acompanha as alterações ao Golden Visa e à residência à medida que as orientações da AIMA surgem.
Esta é uma área em rápida evolução, com uma disputa jurídica genuína no seu centro, e os resultados variarão de investidor para investidor — o aconselhamento profissional, e não a especulação de fóruns, é o único ponto de partida seguro.