Imigração

Ordem dos Advogados: AIMA com Falta de Pessoal Nega aos Migrantes uma Defesa Justa

A Ordem dos Advogados portuguesa afirma que a falta de pessoal da AIMA e os sistemas digitais avariados estão a comprometer a capacidade dos advogados de defender os clientes migrantes.

6 min de leituraAtualizado agosto de 2026

Dados-chave — à data de 2026-08-24: Uma delegação da Ordem dos Advogados visitou o balcão da AIMA nos Anjos, em Lisboa, a 19 de agosto de 2026 — confirmou as queixas dos advogados "ponto por ponto" — desde uma task force de setembro de 2024, a AIMA resolveu a maior parte de uma pendência de 900,000 processos, mas os problemas de capacidade da agência persistem — o bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, exige um canal dedicado para os advogados e investimento na plataforma informática da AIMA.

Uma Queixa Formal, Não um Desabafo Pontual

A Ordem dos Advogados tornou pública uma acusação direta: as falhas de pessoal e de tecnologia da AIMA estão a comprometer a defesa jurídica dos migrantes com processos pendentes. A alegação surge na sequência de uma visita de averiguação de uma delegação da OA ao balcão de atendimento da AIMA nos Anjos, em Lisboa, a 19 de agosto de 2026, e é mais do que uma queixa sobre burocracia lenta — é um alerta sobre as garantias de um processo justo.

A Ordem dos Advogados alertou que a falta de pessoal, os sistemas digitais inadequados e os procedimentos inconsistentes na AIMA estão a obstruir os advogados e a pôr em causa o direito dos imigrantes a uma defesa eficaz. As conclusões surgiram na sequência de uma visita de uma delegação da Ordem dos Advogados ao balcão de Lisboa da Agência para a Integração, Migrações e Asilo, nos Anjos, a 19 de agosto.

O bastonário João Massano não suavizou a linguagem. Massano afirmou que a visita tinha confirmado "ponto por ponto" as dificuldades relatadas pelos advogados que lidam com a agência. Estas incluem longas filas e "tempos de espera desproporcionados" — obrigando os advogados a chegar de madrugada e a permanecer nos balcões da AIMA durante longos períodos.

O Que os Advogados Dizem Estar Realmente Avariado

As queixas vão além das filas. Massano criticou as "extensas filas e os tempos de espera desproporcionados no atendimento aos advogados, que obrigam a deslocações de madrugada e a estadias prolongadas nas instalações" e a falta de atualização do portal em linha da instituição, que "continua a fornecer informação incorreta, incompleta ou desatualizada."

O acompanhamento dos processos é um ponto especialmente sensível. Massano acrescentou que é "extremamente difícil determinar quem é responsável por cada processo e em que fase de tramitação este se encontra," o que prejudica uma gestão adequada das expectativas dos requerentes, e criticou a "acentuada disparidade e falta de uniformização de procedimentos entre os diferentes balcões da AIMA," que gera incerteza jurídica.

Talvez o pormenor mais revelador para os residentes estrangeiros que observam isto de fora: grande parte do esforço desperdiçado nem sequer diz respeito a argumentos jurídicos de fundo. Muitas visitas foram feitas apenas para verificar o andamento de um processo ou atualizar um endereço de correio eletrónico. Isto não é montar uma defesa — é um beco sem saída administrativo que um portal em linha funcional deveria resolver em minutos.

O Que a Ordem dos Advogados Pretende

As exigências de Massano são específicas: um canal de comunicação permanente entre a AIMA e a classe, além de investimento real tanto no pessoal como na infraestrutura informática da agência. Massano apelou a um canal de comunicação permanente entre a AIMA e a Ordem dos Advogados, a par de investimento no pessoal e na plataforma informática da agência. Foi direto quanto ao resultado: "O efeito seria imediato: menos filas, menos madrugadas e menos pressão sobre os balcões, a começar pelos Anjos," afirmou.

A OA não se fica por um comunicado à imprensa. A Ordem dos Advogados vai agora expor os problemas junto da direção da AIMA e de "outras entidades competentes" num esforço para garantir melhorias.

A Leitura da GrowIN: O Custo de um Portal Avariado

Não é o primeiro embate da AIMA com a advocacia, e surge num contexto de progressos genuínos — ainda que incompletos. Desde setembro de 2024, o Governo conseguiu resolver a maior parte dos 900,000 processos que estavam pendentes na AIMA através de uma task force — a Estrutura de Missão, com 20 balcões de atendimento espalhados pelo país. Ainda assim, a incapacidade da agência de atender os migrantes com celeridade continua a gerar processos em tribunal e a dificultar o funcionamento do sistema judicial. É este o padrão incómodo: os números de referência das pendências podem descer, enquanto a experiência quotidiana de atendimento — a parte que efetivamente determina se alguém mantém o estatuto legal — permanece avariada.

A nossa própria leitura da queixa da OA é esta: se os advogados gastam meio dia de trabalho por cliente apenas para confirmar o estado de um processo que um portal funcional poderia mostrar de imediato, esse custo não desaparece — é repassado sob a forma de honorários mais elevados, mais ansiedade durante o processamento e, nos piores casos, prazos de renovação perdidos por quem menos os pode suportar. Quando os advogados não conseguem obter uma resposta clara da agência, as garantias de defesa do cliente tornam-se dano colateral — uma frase que resume por que razão este diferendo importa muito para além da comunidade jurídica de Lisboa.

Porque Isto Importa se Tiver um Processo Pendente

Para quem tem um pedido dentro do sistema da AIMA — uma renovação de D7, um processo de Golden Visa, uma autorização de residência pendente — este diferendo é um sinal para prever uma margem de segurança. Os prazos não se dobram por um portal ser pouco fiável, e o próprio Portal das Renovações da AIMA é exatamente o tipo de canal digital que a Ordem dos Advogados diz continuar a não dar informação fiável a advogados e requerentes. Quem depende de representação jurídica deve perguntar diretamente ao seu advogado quais os atrasos previstos no balcão específico que trata do seu processo, uma vez que as conclusões da OA apontam para disparidades reais entre balcões, e não para um problema nacional uniforme.

O Que Acompanhar a Seguir

A Ordem dos Advogados sinalizou que vai fazer subir de tom esta questão através de reuniões diretas com a liderança da AIMA, em vez de a deixar esmorecer como uma declaração pontual. Saber se disso resultará um canal dedicado para os advogados, melhorias no portal ou contratações adicionais em balcões com falta de pessoal, como o dos Anjos, será o verdadeiro teste — e vale a pena acompanhar para quem tem um processo atualmente a decorrer no sistema. Para contexto sobre como as renovações de autorização de residência e os processos da AIMA devem funcionar, consulte o nosso centro de vistos.

Os estrangeiros com processos ativos na AIMA devem manter o seu próprio registo documental — mensagens de correio eletrónico, confirmações de agendamento, números de referência dos processos —, uma vez que os próprios registos da agência, segundo a Ordem dos Advogados, nem sempre são de confiança para contar a mesma história duas vezes.

Fontes

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