Imigração

As Reclamações à AIMA Caem para Metade com o Fim das Deslocações Duplicadas Graças à Ligação Automática do NISS

A AIMA afirma que as reclamações caíram para metade desde 2024, à medida que uma nova ligação entre a AIMA e a Segurança Social passa a emitir o NISS automaticamente, pondo fim às deslocações duplicadas aos balcões.

6 min de leituraAtualizado setembro de 2026

Dados-chave — em 12-09-2026: As reclamações contra a AIMA caíram para cerca de 50% dos níveis de 2024, segundo o próprio presidente da AIMA — face a mais de 600 000 agendamentos e mais de 500 000 títulos de residência emitidos em 2025 — enquanto 250 000 pessoas, só em 2025, tiveram de se deslocar duas vezes aos balcões da Segurança Social apenas para solicitar e depois levantar o NISS, uma duplicação que terminou em finais de julho de 2026, quando os sistemas da AIMA e da Segurança Social foram interligados para emitir o número de forma automática e em tempo real.

Dois Números, Um Problema Burocrático Resolvido

O presidente da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, afirmou esta semana a jornalistas, em Évora, que o número de reclamações contra o organismo caiu este ano para cerca de metade das registadas em 2024, apesar do aumento do volume de agendamentos. Sublinhou a dimensão da operação subjacente a esta afirmação: em 2025, a AIMA realizou mais de 600 000 agendamentos e emitiu mais de meio milhão de cartões — os títulos de residência definitivos.

Esta descida nas reclamações surge no mesmo ciclo noticioso de uma solução distinta e muito concreta, que os cidadãos estrangeiros vão efetivamente sentir ao balcão. Desde finais de julho de 2026, os cidadãos imigrantes que iniciam o seu processo de regularização junto da AIMA passam a receber automaticamente o Número de Identificação de Segurança Social (NISS). Antes disso, como referiu de forma clara Luís Farrajota, responsável pelo instituto de informática da Segurança Social, "a AIMA diz que precisa do NISS e do NIF e manda as pessoas bater à porta de vários organismos". Agora, a AIMA introduz os dados de identificação do cidadão e a Segurança Social atribui o número em tempo real, evitando deslocações adicionais.

A dimensão do problema agora resolvido não é despicienda. Só em 2025, cerca de 250 000 imigrantes tiveram de se deslocar duas vezes aos balcões da Segurança Social apenas para este efeito — uma vez para solicitar o NISS e outra para o levantar. A falta de comunicação entre os dois organismos tinha sobrecarregado o atendimento presencial — tanto para imigrantes como para portugueses, que partilhavam os mesmos balcões sob pressão.

Como Funciona, na Prática, a Ligação

O mecanismo é simples e, desta vez, reduz efetivamente a burocracia em vez de a transferir para outro lado. A medida elimina a necessidade de as pessoas se deslocarem posteriormente a um balcão da Segurança Social para obter o documento, no âmbito do programa de transformação digital da Segurança Social em desenvolvimento desde 2025. Farrajota descreveu a solução do ponto de vista técnico: "criámos uma ligação entre os dois serviços, que permite que a agência introduza a identificação da pessoa e nós atribuímos o NISS em tempo real, sem que a pessoa tenha de se deslocar à Segurança Social".

Para quem tem um processo mais antigo ou pendente — chegadas anteriores a 2025, ou renovações submetidas ao abrigo do processo anterior — a AIMA indicou que o NISS ainda pode ser registado manualmente através do formulário de contacto online, selecionando o assunto Portal das Renovações. Vale a pena confirmar diretamente junto da AIMA ou da Segurança Social se a atribuição automática se aplica ao seu tipo específico de processo antes de se dirigir ao balcão à espera que assim seja.

Nem Todos Interpretam os Dados das Reclamações da Mesma Forma

A redução para metade das reclamações não é consensual. O Sindicato dos Técnicos de Migração, que representa os próprios técnicos de migração da AIMA, defende que a queda nas reclamações não reflete uma melhoria estrutural do serviço, mas antes "barreiras crescentes" no acesso aos agendamentos, que dissuadem as pessoas de sequer apresentar queixa. O sindicato apontou ainda atrasos persistentes na emissão de títulos, processos acumulados sem data de conclusão à vista, falta de pessoal e balcões reduzidos ou encerrados como a realidade por detrás do número em destaque.

O acompanhamento independente de reclamações acrescenta mais um elemento a esta questão. O Portal da Queixa registou 643 reclamações contra a AIMA nos primeiros quatro meses de 2026 — mais 8,43% do que no mesmo período de 2025 — subindo para 740 até 27 de maio. Como referiu uma notícia, os dois conjuntos de dados não são necessariamente contraditórios, uma vez que assentam em canais de reclamação diferentes, mas dificultam que se trate um único número em destaque como prova de que a experiência real das pessoas com a AIMA melhorou.

A Estimativa da GrowIN: Quanto Custou, na Realidade, o Problema das Deslocações Duplicadas

Duas deslocações obrigatórias à Segurança Social parecem pouco relevantes até se lhes atribuir um valor. Utilizando como referência o salário mínimo de 2026, de €920/mês (cerca de €5,20/hora, num mês-padrão de 22 dias e 8 horas), e uma estimativa conservadora de três horas perdidas por cada visita ao balcão — deslocação, espera na fila e o próprio atendimento — as 250 000 pessoas obrigadas a duplicar a deslocação para o NISS em 2025 perderam, em conjunto, algo da ordem de 1,5 milhões de horas de trabalho, ou aproximadamente €7,8 milhões em salários perdidos, considerando apenas o valor do salário mínimo. Este valor é um cálculo próprio da GrowIN Portugal, feito a partir do número oficial de deslocações, e não uma estimativa da AIMA ou da Segurança Social, subestimando quase certamente o custo real, uma vez contabilizados os dias de trabalho perdidos por trabalhadores por conta de outrem e os honorários de advogados ou gestores.

"Um número reduzido para metade soa muito bem numa conferência de imprensa; o que os estrangeiros efetivamente notam é se ainda precisam de fazer fila duas vezes para o mesmo documento," afirma a Redação da GrowIN Portugal.

O Que Isto Significa na Prática

Se está atualmente a tratar da regularização do seu estatuto junto da AIMA — uma primeira autorização de residência, um processo de reagrupamento familiar, ou determinadas renovações —, não deverá precisar de tratar separadamente do NISS antes ou depois da sua marcação. Dito isto, encare a "automatização" com a mesma prudência que a própria AIMA recomenda para qualquer implementação digital: confirme que o NISS foi efetivamente gerado e consta corretamente do seu processo, e guarde uma nota do número assim que for emitido, uma vez que o acompanha para toda a vida e é necessário para recibos de vencimento, declarações fiscais e contribuições para a Segurança Social, caso trabalhe por conta própria ou seja contratado. O nosso centro de vistos explica em pormenor como o NISS se articula com os pedidos de D7, D8 e outras autorizações de residência, caso pretenda uma visão mais completa.

O Que Observar a Seguir

O verdadeiro teste será saber se o número de reclamações reduzido para metade se mantém depois de as críticas do sindicato quanto ao acesso reduzido serem auditadas de forma independente, e se a ligação do NISS abrange, de facto, todas as vias de regularização e não apenas as mais comuns. Quem dependa da atribuição automática para um processo com prazos apertados — uma proposta de emprego com data de início, por exemplo — deve continuar a verificar junto da AIMA se o número já foi gerado, antes de o dar como garantido.

Para apoio prático na gestão de agendamentos junto da AIMA, no registo do NISS ou na burocracia mais alargada de se instalar em Portugal, consulte a nossa página de serviços.

Os estrangeiros que lidam com a AIMA este ano estão a beneficiar de uma solução genuinamente útil com a ligação do NISS, ainda que a questão mais ampla de saber se o organismo melhorou efetivamente permaneça, com razão, em aberto.

Fontes

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