Imigração

Nova Unidade UNEF da PSP Assume as Deportações da AIMA em Portugal

A UNEF da PSP gere agora controlos de fronteira, afastamentos e retornos, assumindo essa função da AIMA. Eis o que isto significa para os residentes estrangeiros em Portugal.

5 min de leituraAtualizado julho de 2026

A fiscalização da imigração em Portugal dividiu-se discretamente em duas. Desde agosto de 2025, um novo organismo policial chamado UNEF — a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, parte da Polícia de Segurança Pública (PSP) — é responsável pelos controlos de fronteira, afastamentos e retornos forçados, trabalho que cabia à AIMA. Para os residentes estrangeiros, o resultado prático é este: a AIMA continua a processar a sua autorização de residência, mas se acabar com uma ordem de afastamento contra si, são agora agentes da PSP quem a executa, e não os funcionários dos serviços da AIMA.

Porque Aconteceu a Mudança

Quando o SEF (o antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) foi extinto em outubro de 2023, as suas funções foram dispersas pela PSP, GNR, Polícia Judiciária e pela recém-criada AIMA. A AIMA herdou a vertente administrativa dos afastamentos — decidir e instruir os processos de expulsão, readmissão e retorno —, apesar de não ter poderes policiais para efetivamente os executar. O Governo argumentou que este arranjo não estava a funcionar: a AIMA tornou-se responsável pelos retornos, um sistema que, segundo o Governo, não funciona e não permite executar as ordens de expulsão, em grande parte porque a agência não dispõe de autoridade policial.

A solução, consagrada através da Lei n.º 55-C/2025, de 22 de julho de 2025, foi criar uma unidade policial dedicada dentro da PSP. O Governo português estabeleceu formalmente a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) no seio da Polícia de Segurança Pública, tendo esta assumido responsabilidades-chave do antigo SEF — além das funções de afastamento que a AIMA detinha desde 2023.

O Que a UNEF Faz Efetivamente

A UNEF entrou em funcionamento com cerca de 1200 agentes, procurando a PSP reforçar o efetivo ao longo do tempo. A unidade, conhecida como "mini SEF", entrou em vigor com 1200 agentes policiais qualificados para o controlo de fronteira aeroportuário, sendo o objetivo que a UNEF venha a operar com cerca de 2000 pessoas, incluindo agentes, técnicos especializados, prestadores de serviços e voluntários da sociedade civil.

O seu âmbito é vasto. Nos termos da lei e da análise jurídica, a UNEF está incumbida de monitorizar as passagens de fronteira aeroportuárias e a emissão de vistos nos postos de fronteira, supervisionar os cidadãos estrangeiros dentro da jurisdição da PSP, tramitar os procedimentos de afastamento coercivo, expulsão, readmissão e retorno voluntário, e gerir os centros de detenção ou de instalação temporária. Abre também processos de contraordenação relacionados com as regras de entrada, permanência e saída — o que significa que as situações de permanência para além do prazo e de estatuto irregular, que costumavam ser uma matéria administrativa da AIMA, podem agora desencadear um processo direto da PSP.

O Volume Pendente É Enorme

A transferência não foi limpa. A UNEF herdou uma montanha de processos por resolver da AIMA. Esperava-se que a PSP recebesse cerca de 100 000 processos pendentes relativos ao retorno de imigrantes ilegais, alguns deles com 50 anos. A própria liderança da unidade descreveu o volume em termos crus: "Estamos a receber 25 metros cúbicos de processos de retorno e afastamento por dia... medimos assim porque é essa a quantidade que as carrinhas que os transportam da sede da AIMA em Lisboa levam, tudo em papel," relatou João Ribeiro. Só em Lisboa, estimavam-se 20 000 processos ativos, alguns à espera de decisão desde 2019.

Retornos Voluntários, Não Apenas Forçados

Apesar do seu mandato de fiscalização, a UNEF tem, até agora, privilegiado as saídas voluntárias em detrimento das forçadas. Mais de mil imigrantes irregulares em Portugal, a maioria brasileiros, regressaram voluntariamente aos seus países de origem desde a criação da UNEF em agosto de 2025, tendo 1086 pessoas saído através do programa de retorno voluntário até maio de 2026. Desde que ganhou a responsabilidade pelos retornos de estrangeiros através da UNEF, a PSP privilegiou a saída voluntária em detrimento do afastamento forçado, permitindo que os imigrantes irregulares deixem o país de forma assistida e humanitária. Os afastamentos forçados também continuam a acontecer — os números da PSP citados pelo diretor da unidade situam-nos acima de 380 num único ano.

O Parlamento debate atualmente uma proposta de lei do Governo — apelidada de "lei do retorno" — destinada a acelerar ainda mais os procedimentos de afastamento, o que poderá alargar a carga de trabalho e as competências da UNEF assim que for aprovada.

O Que Isto Significa para Si

Se é um residente estrangeiro com uma autorização válida, em processamento ou em renovação, o seu dia a dia com a AIMA não muda — as candidaturas, renovações e agendamentos continuam a decorrer através da AIMA e do Portal das Renovações. A UNEF entra no quadro caso o seu estatuto caduque, seja emitida uma ordem de expulsão ou readmissão, ou seja abordado para um controlo de residência dentro da jurisdição da PSP. Dado o volume pendente descrito pela própria liderança da UNEF, espere um tratamento lento e inconsistente dos processos mais antigos durante algum tempo, a par de uma ação mais célere sobre os novos à medida que as ferramentas digitais de gestão de processos (previstas para 2026) entrarem em funcionamento.

Quem enfrentar uma notificação de afastamento, ou tiver dúvidas sobre qual a autoridade que agora trata do seu processo, deve procurar aconselhamento prontamente em vez de assumir que a AIMA continua a ser o organismo competente — consulte o nosso portal de vistos para saber como interagem atualmente os processos de residência e de afastamento, e a nossa página de serviços se precisar de ajuda para tratar de um caso específico.

O panorama da fiscalização por cá ainda está a assentar, sendo prováveis mais alterações às regras associadas à lei do retorno pendente antes do final do ano.

Fontes

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