Custo de Vida

Dados do INE Revelam Rendas de 16 €/m² em Lisboa Enquanto Coimbra se Mantém Abaixo de 9 €

Novos dados de rendas do INE mostram a renda mediana de novos contratos em Lisboa a ultrapassar largamente a de Coimbra, uma diferença que os estrangeiros devem ponderar antes de escolher onde se instalar.

5 min de leituraAtualizado julho de 2026

O instituto nacional de estatística de Portugal confirmou o que quem arrenda em Lisboa já sente na conta bancária: a capital está agora numa liga de arrendamento à parte, enquanto cidades regionais como Coimbra se mantêm comparativamente acessíveis — por agora.

O que os Números Realmente Dizem

A mais recente divulgação do INE (Instituto Nacional de Estatística), relativa aos novos contratos de arrendamento assinados no primeiro trimestre de 2026, situou a renda mediana nacional em 9,46 € por metro quadrado, um valor obtido a partir de quase 40 000 novos contratos em todo o país. A renda mediana dos 39 395 novos contratos de arrendamento em Portugal atingiu 9,46 € por metro quadrado no primeiro trimestre de 2026, um aumento homólogo de 9,1%, mais rápido do que os 7,9% registados no trimestre anterior.

O município de Lisboa situa-se bem acima dessa linha nacional. Entre os 24 municípios com mais de 100 000 residentes, a capital voltou a registar o valor mais elevado, com um crescimento que — embora ainda substancial — abrandou de facto face à média nacional. No mesmo relatório, Coimbra destacou-se como a única cidade de média dimensão onde as rendas praticadas por senhorios particulares superaram as dos senhorios institucionais, uma particularidade que o INE assinalou especificamente: Coimbra foi a única sub-região do país onde a renda mediana praticada por senhorios do setor das famílias (9,32 €/m²) excedeu a de outros senhorios institucionais (9,10 €/m²).

Alargando o olhar às sub-regiões, o fosso é acentuado. As rendas mais elevadas registaram-se na Grande Lisboa (14,38 €/m²), na Madeira (11,97 €/m²), na Península de Setúbal (11,35 €/m²), no Algarve (10,71 €/m²) e na Área Metropolitana do Porto (10,13 €/m²). Coimbra, em contraste, registou 9,48 €/m², com um crescimento anual de 6,8% — ainda assim uma subida, mas a partir de uma base muito mais baixa e longe da trajetória de Lisboa.

De 16 € para Mais de 17 € num Ano

Um ano antes, a mesma divulgação trimestral mostrou a rapidez com que Lisboa tem subido. No primeiro trimestre de 2025, a renda mediana subiu em termos homólogos em 23 dos 24 municípios com mais de 100 000 habitantes, com Gondomar a registar o maior aumento (24,4%) e Lisboa a renda mediana mais elevada (16,00 €/m²), embora a sua própria taxa de crescimento anual de 5,1% ficasse abaixo do valor nacional de 10,0%. Doze meses depois, a mediana de Lisboa avançou ainda mais, com a cobertura da divulgação mais recente a apontar uma mediana próxima de 17,4 €/m² para a capital — sublinhando que mesmo uma taxa de crescimento "mais lenta" numa cidade muito cara continua a somar dinheiro real para os inquilinos.

Os preços pedidos contam uma história semelhante por outro ângulo. Os dados dos portais imobiliários citados a par da divulgação do INE mostram que a renda mediana anunciada em maio de 2026 se situava em 16,3 euros por metro quadrado a nível nacional, menos 2,9% em termos homólogos, enquanto Lisboa se manteve a cidade mais cara, com 21,8 euros por metro quadrado. Os preços pedidos e as medianas dos contratos assinados raramente coincidem com exatidão, mas ambos apontam na mesma direção: arrendar na capital custa cerca do dobro do que custa num lugar como Coimbra.

Porque Isto Importa se Está a Escolher Onde Viver

Para os estrangeiros que ponderam uma mudança — seja ao abrigo de um D7, de um visto de nómada digital D8, ou simplesmente por motivos de trabalho — esta é exatamente o tipo de diferença que deve moldar a decisão, e não uma reflexão tardia depois de o contrato já estar assinado. Um apartamento de tipologia T1 que custaria cerca de 1 000–1 200 €/mês no centro de Lisboa às medianas atuais poderia realisticamente rondar os 600–700 €/mês por espaço equivalente em Coimbra, Braga ou Aveiro. Essa diferença é significativa face a limiares de rendimento como o mínimo de cerca de 3 680 €/mês do D8, uma vez que a habitação costuma consumir a maior fatia isolada de um orçamento de relocalização.

As cidades universitárias e os polos regionais de média dimensão também tendem a oferecer deslocações mais curtas, estacionamento mais fácil e um ritmo mais calmo que muitos trabalhadores à distância e reformados acabam por preferir depois de experimentarem — Coimbra, Braga, Aveiro e Viseu surgem regularmente nessa conversa. Nada disso altera a realidade prática de que os empregos, as escolas internacionais e determinadas redes profissionais continuam concentrados em torno de Lisboa e do Porto, pelo que a resposta "mais barata" não é automaticamente a certa para toda a gente.

Um Apagão de Dados, Agora Resolvido

Vale a pena notar, para quem acompanha estes valores de perto: o INE chegou a suspender a publicação desta série de rendas durante vários meses. A publicação esteve suspensa desde outubro de 2025, condicionada à disponibilização de novos dados por parte da Autoridade Tributária, deixando Portugal sem números oficiais do mercado de arrendamento durante meses. Foi retomada no final de junho de 2026 com uma metodologia revista, assente em declarações atualizadas de Imposto do Selo relativas a contratos de arrendamento, o que significa que as comparações diretas de trimestre para trimestre antes e depois dessa interrupção devem ser lidas com alguma cautela.

O que Observar a Seguir

É de esperar que a próxima divulgação trimestral do INE, a par do coeficiente anual de atualização de rendas que rege os contratos em vigor, mantenha esta conversa ativa ao longo do resto de 2026. Quem compara cidades antes de assinar um contrato deve consultar os valores atuais ao nível do município diretamente no sítio do INE, em vez de se basear em médias mais antigas, e incluir a renda no mesmo planeamento orçamental usado para os limiares de rendimento dos vistos. O nosso centro de relocalização percorre a forma de ponderar os custos de habitação, os requisitos de rendimento e o dia a dia nas principais cidades de Portugal antes de se comprometer com uma.

A direção do movimento é clara, mesmo que os valores exatos continuem a mudar: Lisboa está a afastar-se cada vez mais do resto do país e, por agora, Coimbra e as suas congéneres continuam a ser a opção mais tolerante para um orçamento mais apertado.

Fontes

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