Imigração

AIMA Abre em Setembro a Segunda Turma de Formação em Construção para Imigrantes

O programa Integrar para a Construção da AIMA, de 2,5 milhões de euros, abre a sua segunda edição em setembro, formando 500 imigrantes para profissões licenciadas da construção.

6 min de leituraAtualizado agosto de 2026

Dados-chave — a 2026-08-01: orçamento total do programa de 2,5 milhões de euros — 500 vagas de formação repartidas por 25 grupos — a primeira turma arrancou em julho de 2026, a segunda turma abre em setembro de 2026 — bolsa mensal até 537 € durante a formação técnica, descendo para 269 € durante o estágio remunerado.

Uma Segunda Vaga para um Programa Pensado para Escalar

O setor da construção em Portugal tem um vazio de mão de obra que nenhuma retórica política preencheu, e a AIMA está agora a testar se a formação estruturada de imigrantes consegue tapar parte dele. O programa, denominado Integrar para a Construção, foi criado pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) e prevê-se que proporcione oportunidades de formação a 500 participantes, decorrendo em vagas e não numa única edição. O primeiro ciclo começou em julho de 2026, o segundo ciclo arranca em setembro de 2026, e o terceiro e quarto ciclos estão previstos para o primeiro semestre de 2027.

Com um orçamento de aproximadamente 2,5 milhões de euros, a iniciativa procura melhorar o acesso ao emprego, ajudando ao mesmo tempo as empresas de construção a encontrar trabalhadores com as competências necessárias para responder à procura crescente. O lado da procura desta equação é gritante: o setor é um dos mais afetados pela escassez de mão de obra no país, com estimativas da indústria a apontarem para um défice de cerca de 80 000 trabalhadores.

Quem Tem Acesso, e o que a Formação Abrange Efetivamente

Isto não é uma feira de emprego genérica. A iniciativa está aberta a imigrantes que vivam em Portugal, bem como a requerentes de asilo, refugiados e beneficiários de regimes de proteção temporária. Os candidatos precisam de um documento de residência válido e de um interesse genuíno na profissão — revelar interesse e motivação para trabalhar no setor da construção civil é uma das condições de elegibilidade indicadas.

Uma vez aceites, os participantes repartem o seu tempo entre a sala de aula e a obra. A formação técnica decorre ao longo de 300 horas, seguida de 300 horas de formação em contexto de trabalho (estágio), realizadas no CICCOPN e, quando necessário, noutros centros da rede do IEFP. As opções de profissão são específicas e licenciáveis: eletricista auxiliar, canalização, carpintaria de acabamentos, carpintaria de cofragens, sistemas de isolamento de gesso cartonado e ETICS, operação de máquinas de construção, e pintura e acabamentos. Os participantes poderão formar-se num conjunto de profissões ligadas à construção, incluindo trabalho de eletricidade, canalização, operação de máquinas, carpintaria, pintura e profissões de acabamento.

O modelo de execução reúne a AIMA com organismos do setor, em vez de a colocar a operar como um exercício governamental isolado. O programa é financiado através de uma parceria que envolve a AIMA, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e o Centro de Formação Profissional da Indústria da Construção Civil e Obras Públicas do Norte (CICCOPN), com o apoio de organizações do setor e de parceiros do setor privado. A associação de empregadores AICCOPN e a Fundação Ageas figuram também como parceiros, com o envolvimento da fundação a assentar num programa de empregabilidade anterior que executou de forma independente.

O Dinheiro em Cima da Mesa

Para quem pondera se quatro meses de requalificação valem a pena financeiramente, a estrutura das bolsas importa tanto como o currículo. Durante o período de formação, os participantes podem receber uma bolsa mensal até 537 €, e durante a fase de estágio o apoio financeiro desce para 269 € por mês. Para além disso, o programa inclui acesso a uma bolsa de formação, seguro de acidentes pessoais, e subsídios de alimentação e transporte.

Análise da GrowIN: fazer as contas aos próprios números da AIMA dá um retrato mais claro da oferta. Dividindo o orçamento de 2,5 milhões de euros pelas 500 vagas previstas, cada participante representa efetivamente cerca de 5000 € em despesa pública — a cobrir formação, tutoria, equipamento e bolsas em conjunto. Só do lado das bolsas, um participante que conclua o curso de cerca de quatro meses — a repartição indicada pela AIMA é de aproximadamente quatro meses de formação no total — poderá receber na ordem dos 1000 € a 1600 € em pagamentos diretos ao longo do ciclo, antes do apoio de alimentação, transporte e equipamento. É uma ponte significativa para quem passa de um trabalho informal ou precário para uma profissão licenciada, embora os totais reais dependam de quantas semanas recaem em cada fase e da assiduidade individual.

"Um investimento de 5000 € por vaga é Portugal a apostar que é a certificação profissional formal, e não apenas a oferta de mão de obra, o que efetivamente falta às suas obras", assinala a Redação da GrowIN Portugal.

Porque Isto Importa para Além da Sala de Aula

A escassez na construção em Portugal não é abstrata — manifesta-se em entregas de habitação atrasadas e em custos de construção em alta que acabam por chegar a compradores e arrendatários, estrangeiros e portugueses. Um programa que formaliza trabalhadores imigrantes em profissões licenciadas e seguras — em vez de os deixar na economia paralela — é também um sinal de como a AIMA tenta usar a integração profissional como complemento dos seus processos, mais lentos, de autorizações e renovações. Quem estiver a gerir a situação de residência a par de uma mudança de carreira deve consultar o nosso portal de vistos para saber como as colocações em formação interagem com as condições da autorização, uma vez que a elegibilidade aqui está explicitamente ligada à titularidade de residência ou estatuto de proteção válidos.

O projeto integra-se também na iniciativa mais ampla Integrar para o Mercado, que se centra na melhoria da integração no mercado de trabalho através da formação profissional e da experiência em contexto laboral, e já foram introduzidos programas semelhantes em setores como o turismo — esse programa do turismo, o Integrar para o Turismo, está agora na sua segunda edição, o que sugere que a AIMA vê esta fórmula intersetorial como um modelo, e não como um caso pontual.

O que Vigiar a Seguir

As janelas de candidatura para o ciclo de setembro não foram publicadas com a mesma antecedência que a primeira ronda — as candidaturas da edição de julho encerraram a 5 de julho, com os organizadores a dividir os participantes por 25 grupos de formação — pelo que os potenciais candidatos devem acompanhar diretamente os canais oficiais da AIMA e contactar integrar.construcao@aima.gov.pt para esclarecimentos antes de o prazo da própria turma de setembro ser confirmado. Com mais dois ciclos previstos para 2027, isto parece encaminhar-se para uma via recorrente de acesso às profissões, e não para uma experiência única, e o seu êxito — medido em colocações reais no emprego, e não apenas em conclusões de formação — determinará provavelmente se a AIMA alarga o modelo a outros setores em carência a seguir.

Fontes

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