Dados-chave — a 15-10-2026: As concessões de nacionalidade portuguesa caíram 45% em 2025, para 25.829, face a cerca de 47.000 no ano anterior — uma quebra de cerca de 21.000 pessoas num único ano — com as naturalizações de israelitas a caírem 65% (17.647 → 6.155) e as naturalizações de brasileiros a caírem 30,5% (11.133 → 7.740); os pedidos apresentados a partir do estrangeiro reduziram-se para metade, de 26.216 para cerca de 13.000; o IRN mantinha ainda 515.334 processos pendentes em junho de 2025; a nova Lei da Nacionalidade (Lei Orgânica n.º 1/2026) entrou em vigor a 19 de maio de 2026, elevando a residência exigida para naturalização para 7 ou 10 anos e extinguindo por completo a via sefardita.
O número que deveria preocupar quem conta com um passaporte rápido
O instituto de estatística de Portugal, o INE, confirmou aquilo que os advogados de imigração vinham alertando há meses: num único ano, o número de estrangeiros que obtiveram a nacionalidade portuguesa caiu 45%, para 25.829 pessoas — menos 21.000 aquisições do que em 2024, uma quebra que atingiu sobretudo israelitas e brasileiros. Os dados, noticiados pelo Jornal de Notícias e retirados de informação do INE, referem-se a 2025 — um ano que terminou sete meses antes de a mais rigorosa lei da nacionalidade de 2026 entrar em vigor. Esse facto temporal é relevante. Significa que o estrangulamento que os estrangeiros descrevem atualmente não é um risco futuro. Já aconteceu, e as regras tornaram-se mais rígidas depois disso.
De onde veio, na verdade, a quebra
A queda mais acentuada verificou-se entre os israelitas: 17.647 obtiveram a nacionalidade portuguesa em 2024, na maioria descendentes de sefarditas, mas um ano depois apenas 6.155 o conseguiram — menos 11.492 pessoas, uma quebra de 65%. A causa é rastreável a uma alteração específica das regras, e não a um abrandamento geral: o endurecimento reflete sobretudo regras mais rigorosas para descendentes de judeus sefarditas que entraram em vigor em janeiro de 2025, exigindo três anos de residência em Portugal e prova de ascendência perante uma comissão de avaliação. Esse endurecimento de 2025 foi, por si só, um prenúncio da lei que se seguiu em maio de 2026, a qual aboliu por completo a via sefardita — um ponto que a nossa linha editorial assinala como uma paragem definitiva, e não um simples abrandamento.
Os brasileiros, a maior comunidade estrangeira em Portugal, também não foram poupados. Entre os brasileiros, a quebra foi igualmente significativa: as aquisições passaram de 11.133 para 7.740, uma redução de 3.393 pessoas e de 30,5% num único ano. E não foram apenas as pessoas que já viviam em Portugal a apresentar menos pedidos — também o canal internacional diminuiu: os pedidos apresentados a partir do estrangeiro foram reduzidos aproximadamente para metade, de 26.216 em 2024 para cerca de 13.000 em 2025, uma queda de 50%.
O que isto significa para quem está a meio do processo ou a planear candidatar-se
O volume de processos pendentes é a parte de que ninguém fala o suficiente. A 30 de junho de 2025, estavam em análise um total de 515.334 processos, incluindo processos de atribuição e de aquisição por naturalização, refletindo o volume acumulado dos últimos anos. Confrontando este número com a taxa de aprovação de 2025, a fila implícita é impressionante: com cerca de 25.829 concessões por ano, esgotar mais de 515.000 processos pendentes — mesmo sem qualquer novo pedido — demoraria quase duas décadas. Este cálculo aproximado, feito a partir dos dados publicados pelo próprio INE e IRN, é um cálculo próprio da GrowIN, e não uma projeção oficial, mas ilustra bem por que motivo a paciência se tornou discretamente o principal requisito de elegibilidade.
"Uma quebra de 45% nas aprovações antes mesmo de as regras mais rigorosas de 2026 terem sido aplicadas é o sinal mais claro até agora de que a nacionalidade portuguesa está a tornar-se mais lenta e mais difícil de obter, e não mais fácil", afirma a Equipa Editorial da GrowIN Portugal.
O problema estrutural que agrava este abrandamento prende-se com os recursos humanos, e não apenas com a política adotada. O IRN tem vindo a contratar conservadores após anos sem novas admissões, mas os prazos de resposta continuam longos na maioria das categorias. Nada disto significa que a aprovação seja impossível — significa que é preciso prever anos, e não meses, e encarar o requisito de A2 de português e o prazo de residência de 7 ou 10 anos (contado a partir da data de emissão da sua autorização de residência, de acordo com o nosso guia de vistos) como a base de partida, e não como o pior cenário possível. Quem apresentou o pedido antes de 19 de maio de 2026 continua a ser avaliado ao abrigo da antiga regra dos cinco anos, pelo que os pedidos pendentes já existentes não são automaticamente integrados no regime mais exigente — mas os novos requerentes já o são.
O que observar a seguir
Vale a pena acompanhar as estatísticas publicadas pelo IRN relativas ao segundo semestre de 2026, para perceber se o volume de processos pendentes começa a diminuir agora que entram menos novos pedidos pela via sefardita, ou se a extensão do prazo de residência para 7/10 anos simplesmente desloca o estrangulamento mais adiante no sistema. Quanto à via da ascendência (artigo 6.º), que a lei de 2026 deixou inalterada, a procura poderá agora aumentar à medida que a alternativa sefardita se extingue — algo a vigiar por parte de quem tem ascendência portuguesa e está a ponderar as suas opções através do nosso centro de vistos.
A nacionalidade por naturalização em Portugal já era, antes disto, um processo de vários anos. Os números de 2025 confirmam que está a tornar-se mais longo, e não mais curto, e as regras que acabaram de entrar em vigor em 2026 apenas aumentam a distância até à linha de chegada.