Relocalização

Levar Animais de Estimação para Portugal: Guia de Cães e Gatos 2026

Como levar um cão ou gato para Portugal em 2026: microchip, raiva, Passaporte Europeu para Animais de Companhia vs Certificado Sanitário, a partir dos EUA ou do Reino Unido, viajar de avião e registo no SIAC.

7 min de leituraAtualizado julho de 2026

Para muitas pessoas, a mudança para Portugal só se torna real quando o cão se instala no sofá da nova casa. Trazer um animal de estimação é perfeitamente exequível, mas assenta numa sequência fixa de passos veterinários, e a ordem importa mais do que tudo o resto. Se falhar a sequência, pode perder semanas a repetir vacinas. Este guia explica o que os cães e gatos precisam, como o processo difere consoante venha da UE, dos EUA ou do Reino Unido, e o que fazer depois de chegar — incluindo o passo de registo que a maioria das pessoas esquece.

As Três Coisas de que Todos os Animais Precisam

Seja qual for o país de origem, a base é a mesma para cães, gatos e furões que entram em Portugal:

  1. Um microchip ISO. Tem de ser um chip de 15 dígitos que cumpra a norma ISO 11784/11785. Se o seu for um chip não normalizado (alguns chips norte-americanos mais antigos são), substitua-o ou leve consigo o seu próprio leitor. O chip tem de ser legível, porque tudo o resto está associado a ele.
  2. Uma vacina antirrábica — depois do chip. Este é o passo em que as pessoas se enganam. O microchip tem de ser implantado antes ou ao mesmo tempo que a vacina contra a raiva. Uma vacina antirrábica administrada antes do chip não conta, e terá de a repetir. O animal tem de ter pelo menos 12 semanas de idade para a primeira vacina antirrábica.
  3. Um período de espera de 21 dias. Após a vacinação antirrábica primária, tem de aguardar 21 dias antes de viajar. Os reforços administrados dentro do prazo não reiniciam a contagem, mas um reforço em falta conta como uma nova vacinação primária — com um novo período de espera de 21 dias.

Se acertar nestes três passos, por esta ordem, o resto é papelada.

Passaporte Europeu para Animais de Companhia vs Certificado Sanitário

O documento que deve levar depende do local de partida.

Se vier de outro país da UE (ou se o seu animal já viver na UE), utiliza o Passaporte Europeu para Animais de Companhia. Um médico veterinário emite-o uma vez, regista o microchip e o historial de vacinação antirrábica, e é válido durante toda a vida do animal desde que a vacina contra a raiva se mantenha em dia. Esta é, de longe, a via mais simples.

Se vier de fora da UE — incluindo dos Estados Unidos — o seu animal viaja com um Certificado Sanitário da UE (AHC). Um médico veterinário preenche-o e, nos EUA, tem de ser validado por um veterinário acreditado pelo USDA e pelo serviço USDA APHIS no prazo de 10 dias antes da viagem. O AHC é válido para a entrada na UE e cobre depois as deslocações dentro da UE durante quatro meses. Depois de se instalar, o seu veterinário português pode converter tudo num Passaporte Europeu para Animais de Companhia, para que nunca tenha de repetir o AHC.

Uma nota sobre o tratamento da ténia: algumas pessoas leem sobre um tratamento obrigatório contra a ténia (Echinococcus) para cães. Portugal não o exige para a entrada. Essa regra aplica-se aos cães que entram na Irlanda, Finlândia, Malta ou Noruega. Se o seu destino for Portugal, pode dispensá-lo — embora continue a ser um cuidado geral de desparasitação sensato.

Vir dos EUA

A partir dos EUA, planeie tudo em torno do AHC e da sua janela de 10 dias. A ordem habitual:

  • Confirmar que o microchip cumpre a norma ISO, depois a vacina antirrábica (se ainda não estiver em dia), e depois aguardar 21 dias.
  • No prazo de 10 dias antes do voo, o seu veterinário acreditado pelo USDA preenche o certificado sanitário da UE e obtém a respetiva validação do USDA (cada vez mais feita eletronicamente através do VEHCS).
  • Reserve o voo e confirme atempadamente as regras da companhia aérea para o transporte de animais vivos.

O nosso guia mudar-se para Portugal a partir dos EUA aborda o cronograma de relocalização mais amplo em que isto se enquadra.

Vir do Reino Unido

Após o Brexit, o Reino Unido é um país terceiro, pelo que os antigos passaportes britânicos para animais já não são válidos para viajar na UE. Os animais britânicos viajam com um AHC emitido por um Veterinário Oficial, válido para uma única entrada na UE (utilizado no prazo de 10 dias após a emissão) e para quatro meses de deslocações subsequentes dentro da UE. As regras relativas ao microchip e à vacina antirrábica válida são idênticas. Consulte mudar-se para Portugal a partir do Reino Unido para uma visão mais abrangente.

Viajar de Avião ou de Carro

De avião é como chega a maioria dos animais que percorrem longas distâncias. Os gatos e cães de pequeno porte podem muitas vezes viajar na cabina, numa transportadora que caiba debaixo do banco; os cães maiores seguem no porão com temperatura controlada como carga manifestada. As regras, as especificações das transportadoras e as restrições por raça variam bastante consoante a companhia aérea, e algumas raças de focinho achatado (braquicefálicas) estão impedidas de viajar no porão. Reserve diretamente junto do serviço de animais vivos da companhia aérea, com bastante antecedência — os lugares na cabina e no porão são limitados.

De carro é adequado para mudanças a partir da Europa e proporciona uma viagem mais tranquila aos animais nervosos. A partir do Reino Unido, isso significa o Eurotúnel (que transporta animais dentro do seu carro) ou um ferry que aceite animais, seguido de uma viagem por França e Espanha. É mais demorado, mas evita completamente o porão, e há empresas especializadas em transporte de animais que fazem regularmente este percurso.

Independentemente da opção escolhida, cinco animais é o limite não comercial por pessoa; acima desse número, ou se os animais não o acompanharem como animais de estimação pessoais, aplicam-se as regras de importação comercial.

Depois de Chegar: Registo no SIAC

Este é o passo que os estrangeiros costumam esquecer. Portugal mantém uma base de dados nacional de animais de companhia, o SIAC (Sistema de Informação de Animais de Companhia), e o registo é obrigatório para cães, gatos e furões que vivam no país. Depois de se tornar residente, leve o seu animal e os respetivos documentos a um veterinário português e registe o microchip no SIAC com os seus dados e a sua morada em Portugal. Faça-o nas primeiras semanas — é assim que um animal perdido pode ser associado a si, e trata-se de uma exigência legal, não de uma formalidade opcional. Em geral, convém tratar primeiro do seu NIF, uma vez que está ligado ao registo.

Erros Comuns a Evitar

  • Vacinar antes de colocar o microchip. O erro mais dispendioso de todos — a vacina antirrábica não será válida.
  • Esquecer o período de espera de 21 dias. Conte-o a partir da data da vacinação, não da consulta veterinária.
  • Tratar do AHC demasiado tarde — ou demasiado cedo. Tem uma janela de validade apertada; a regra dos 10 dias é real.
  • Presumir que um passaporte britânico ou norte-americano ainda serve. Nenhum é atualmente válido para a entrada na UE.
  • Ignorar o SIAC. Trazer o seu animal para Portugal não é a meta final; registá-lo aqui é que é.

Perguntas Frequentes

Existe quarentena em Portugal? Não — se o seu animal cumprir as regras de microchip, vacinação antirrábica e documentação, não há quarentena.

E os cachorros e gatinhos? Não podem ser vacinados contra a raiva antes das 12 semanas, pelo que os animais muito jovens ainda não conseguem cumprir as regras de entrada. Planeie tendo em conta a idade.

O meu gato precisa do tratamento contra a ténia? Não — o tratamento contra a ténia é uma regra exclusiva para cães e, de qualquer forma, Portugal não o exige.

Mais uma coisa: as regras da UE para viagens com animais estão a ser atualizadas ao longo de 2026 (novos formatos de certificado entram em vigor mais para o final do ano), por isso confirme os formulários atuais junto de uma fonte oficial próximo da data da sua viagem. Comece pelas regras da UE para viagens com animais e, a partir dos EUA, pela viagem de animais de companhia dos EUA para Portugal do USDA APHIS. Para tudo o que envolve a própria mudança, os nossos pilares de relocalização e viver em Portugal reúnem toda a informação.

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Aviso: Este guia destina-se a orientação geral e não constitui aconselhamento jurídico, fiscal ou de imigração. Os pormenores variam consoante a sua situação e as regras podem mudar — confirme sempre junto das entidades oficiais ou de um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.

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