# Advogados de Golden Visa Divididos Sobre Quando Começa a Contar o Novo Relógio da Nacionalidade Portuguesa

> A lei da nacionalidade de 2026 de Portugal transferiu o início da contagem para a emissão da autorização de residência, e não para a data do pedido — mas os advogados discordam sobre como esta regra se aplica aos titulares de Golden Visa que já aguardam.

- Source: https://www.growinportugal.com/pt/news/golden-visa-holders-confused-over-when-their-citizenship-clo-2026-10-07
- Publisher: GrowIN Portugal (https://www.growinportugal.com)
- Published: 2026-10-07
- Last reviewed: 2026-10-07
- Language: pt

> **Dados-chave — a 2026-10-07:** Lei Orgânica n.º 1/2026 em vigor desde **19 de maio de 2026** — o requisito de residência passa agora para **10 anos** para a maioria dos nacionais não comunitários e não CPLP, e **7 anos** para nacionais da UE/CPLP, face aos 5 anos anteriores — a contagem passa a iniciar-se na **data de emissão da autorização de residência**, e não na data do pedido — alguns investidores aguardaram entre **3 e 6 anos** até a AIMA emitir o primeiro cartão de Golden Visa, o que, numa leitura de pior cenário, poderia fazer com que os tempos de espera reais ultrapassassem os **13 anos**.

## Uma alteração de regra sem manual de instruções

A reforma da nacionalidade em Portugal surgiu com um título claro — os cinco anos passaram a dez — mas o pormenor que está agora a tirar o sono aos advogados de imigração é uma cláusula completamente diferente: o momento em que a contagem se inicia. A lei torna mais rigoroso o cálculo do tempo de residência, contabilizando apenas os períodos de residência legal comprovados por autorizações de trabalho/residência válidas, e passando a iniciar a contagem na data de emissão da autorização de residência, em vez da data do pedido.

Para um titular de Golden Visa, essa única palavra — "emissão" — faz a diferença entre planear um passaporte no início da década de 2030 ou no final dessa mesma década.

## Porque discordam os advogados

A própria lei não esclarece o que acontece a quem já se encontra a meio do processo. A Lei Orgânica n.º 1/2026 estabelece expressamente um regime transitório para os pedidos de nacionalidade apresentados até 18 de maio de 2026, inclusive, mas é omissa quanto aos titulares em fase de residência que ainda não submeteram pedido, e a AIMA não publicou qualquer posição sobre se o tempo de residência anterior conta para a nova contagem. Esse silêncio dividiu a comunidade jurídica em cerca de três correntes.

Uma leitura, partilhada por várias empresas de consultoria, aplica a regra de forma mecânica: o período de qualificação é contado a partir da data de emissão da primeira autorização de residência, ou seja, a data impressa no cartão, e não a data de submissão do pedido — sem exceções para quem ainda não tenha submetido o pedido de nacionalidade.

Uma segunda interpretação, mais favorável, associa a elegibilidade ao momento em que o processo de Golden Visa foi submetido em relação à data de publicação da lei. Segundo esta leitura, se as taxas de submissão foram pagas antes da publicação, a contagem para a nacionalidade continua a correr a partir da data de pagamento das taxas, ainda que a duração seja agora de 10 anos, e os atrasos de processamento da AIMA não farão recuar a contagem. Apenas os processos abertos após a publicação da lei ficariam, nesta ótica, sujeitos à regra mais exigente da data de emissão.

Um terceiro argumento, mais combativo, está a ganhar forma nos escritórios de advogados, e não nas orientações do Governo. Ainda não foi testado na prática, mas o direito administrativo português obriga o Estado a decidir um pedido de autorização de residência no prazo de 90 dias, pelo que, argumenta-se, a contagem para a nacionalidade deveria começar no 91.º dia a contar da submissão, independentemente da data em que a AIMA efetivamente emite o cartão. Ninguém levou ainda este argumento a tribunal com sucesso, mas é aquele que os advogados dos investidores continuam a invocar nas conversas com os clientes.

## O volume de processos pendentes torna isto existencial, não académico

Isto não teria grande relevância se a AIMA processasse os casos com rapidez. Não é o caso. A AIMA tem processado pedidos de Golden Visa muito além do prazo legal de 90 dias, com advogados que representam investidores a reportar esperas de três a seis anos até uma decisão. Isso levou mais de 500 investidores — um grupo mobilizado sobretudo através do WhatsApp e constituído predominantemente por investidores norte-americanos — a avançar com uma ação judicial coletiva contra o Estado.

**Cálculo da própria GrowIN:** tomando o intervalo documentado de processamento de Golden Visa pela AIMA, de cerca de 12 a 36 meses, e aplicando a leitura da data de emissão. Um investidor que apresente o pedido hoje, perante uma espera intermédia de 24 meses até à emissão do primeiro cartão, só veria iniciar-se a contagem dos 10 anos para a nacionalidade em 2028 — o que significa nenhum pedido de nacionalidade antes de 2038, ou seja, 12 anos completos após o pedido de investimento original. Nos termos das regras anteriores a 2026, o mesmo investidor teria sido elegível por volta de 2031. Não se trata de um atraso modesto; representa um aumento de cerca de 140% no tempo total até à obtenção do passaporte para quem apresenta agora o pedido do zero, mesmo antes de se abordar a disputada questão do regime transitório para quem já se encontra no processo.

Se prevalecer a leitura defendida pelos investidores, um requerente que tenha submetido o pedido em 2022 e continue, em 2026, a aguardar que a AIMA emita o cartão, verá o calendário prático até à elegibilidade para a nacionalidade passar de cinco anos para uma aproximação a 13 ou 14 anos.

## O que observar a seguir

A lei é omissa quanto à questão de saber se o tempo de residência já acumulado antes de 19 de maio de 2026 transita para a nova contagem, e o Governo português dispõe de 90 dias a contar da publicação para atualizar o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa. É nesse regulamento — e não na própria lei — que a resposta prática deverá previsivelmente surgir. Até lá, o portal de renovações online da AIMA e os serviços de registo do IRN estão a operar com base em discricionariedade administrativa, e não numa regra publicada.

Como refere a Redação da GrowIN Portugal: *Portugal não se limitou a duplicar o tempo de espera para a nacionalidade — também deslocou a linha de partida, e ninguém no Governo esclareceu ainda exatamente onde esta se situa agora.*

Os titulares de Golden Visa que não tenham a certeza de como se enquadram devem evitar assumir conclusões antes de surgirem orientações de aplicação, e devem encarar com ceticismo qualquer entidade que prometa um calendário garantido — este é um território de aconselhamento, e não de direito consolidado. Para um enquadramento mais completo do atual percurso entre residência e nacionalidade, consulte o nosso espaço [visas](/pt/visas/), e fale com a nossa equipa de [serviços](/pt/services/) antes de submeter um pedido de nacionalidade ao abrigo das novas regras.

## Sources

- [AIMA](https://aima.gov.pt)
- [IRN / Justiça](https://irn.justica.gov.pt)
- [Global Residence Index](https://globalresidenceindex.com/portugal-golden-residency/)
- [American Emigration](https://americanemigration.com/news/americans-lead-500-strong-lawsuit-against-portugals-golden-visa-shift)

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© GrowIN Portugal. Cite as: GrowIN Portugal, "Advogados de Golden Visa Divididos Sobre Quando Começa a Contar o Novo Relógio da Nacionalidade Portuguesa", https://www.growinportugal.com/pt/news/golden-visa-holders-confused-over-when-their-citizenship-clo-2026-10-07
